Críticas
Manifestação Popular
Acabamos de voltar de uma reunião para o pessoal local, que teve lugar no Delaware Valley College (aqui ao lado de casa, onde filmaram parte do filme “Signs“).
O motivo da reunião foi que a Eckerd, uma rede enorme de farmácias, decidiu construir uma loja exatamente no meio de Chalfont, a cidadezinha aqui ao lado de onde moro.
Chalfont é um centrinho de cidade histórico, com casas Vitorianas e Gregorianas, que ainda mantém um ar de cidade pequena mesmo estando em meio a uma região em desenvolvimento acelerado. Infelizmente não tenho nenhuma foto e não achei nada na internet para mostrar.
O projeto da empresa é colocar uma loja tipo esta aqui bem nesse cruzamento central, que é o coração da parte histórica da cidadezinha (que vai uns 2 ou 3 quarteirões para cada lado desse cruzamento).
A loja ocuparia um antigo posto de gasolina (que hoje é uma loja de bagels) e 3 casas antigas junto a ele, que seriam demolidas. Mas mesmo com as modificações propostas ao design do prédio, ele ainda descaracterizaria completamente o cruzamento que é a essência da cidade.
O resultado foi que isso mobilizou bastante gente para essa reunião, que os construtores organizaram para tentar medir o grau de aceitação e receber sugestões do pessoal.
Acho que pelo menos 99% do pessoal que foi até lá estava contra. A única opinião favorável que foi proferida foi a de um velhinho já caquético, que mal conseguia andar ou falar, mas que é o dono de uma das casas que seriam derrubadas (ouvi que a empresa ofereceu US$700.000 pela propriedade dele).
Espero sinceramente que a mobilização do pessoal resolva e que o projeto não vá para a frente. Eles ainda tem que conseguir aprovação de um monte de gente e passar por um certo trâmite legal antes de poderem efetivamente iniciarem a obra. O pessoal daqui tem que ficar em cima, comparecer às reuniões do conselho administrativo da cidade, e exigir que eles não dêem o aval para a obra.
Não é querer ser contra quem está por cima, mas essas corporações realmente são uma merda. Pelo que vi na internet, eles fazem esse tipo de coisa direto, indo em cidadezinhas históricas e demolindo construções antigas para construir as lojas deles onde quer que achem um ponto viável. Nesta página aqui tem vários casos de tentativas semelhantes feitas pela Eckerd. Parece que eles fazem isso de propósito.
A dois quarteirões de distância, na mesma avenida mas já fora do centrinho histórica de Chalfont, tem um boliche e um posto de gasolina que estão fechados faz tempo. Todo mundo apoiaria e ficaria até grato pela construção de uma loja da Eckerd lá (e isso foi dito a eles). Mas eles não queriam nem dizer o porquê deles não considerarem aquele terreno como opção (na saída, ouvi que o dono dos terrenos estava pedindo US$3 milhões).
É uma merda.
Surdez Seletiva
Alguém pode me explicar o porquê dos pais não acharem que o barulho dos filhos deles incomoda as outras pessoas?
Ontem na aula de aikidô um camarada levou a filha dele (10 ou 11 anos) para treinar. Normalmente ele também treina. Por alguma razão ele não treinou, mas ficou lá ao lado do tatami durante a aula com o filho nenê dele (um menino pequeno, nem anda ainda acho).
Até aí tudo bem, pois em teoria não é um ambiente só para adultos. O problema é que o moleque não parava de fazer “gú-gú-dá-dá”, bem alto. Cada vez que ele via a irmã ali no tatami, ele gritava. E volta e meia começava a chorar.
Num ambiente onde o silêncio é a norma — não tem conversa durante as aulas, nem gritos de “kiai”, o único barulho é o dos corpos caindo no chão — percebia-se facilmente a quantidade enorme de barulho que o nenê fazia.
O problema é que o tal cara, como a maioria dos pais que eu conheço aqui, aparentemente acha que isso é entretenimento para todo mundo. Dava risada, de vez em quando falava um “Shh” para o nenê (como se ele fosse entender), mas ligar o “simancol”, nem pensar. Só uma vez ele tirou o nenê de lá, quando a choradeira se estendeu por vários minutos. Mas logo voltou e recomeçou a barulheira.
Por que isso? Por que os pais não conseguem se tocar que os filhos deles incomodam os outros com o barulho e a bagunça que fazem? Por que eles não entendem que não é nem apropriado, nem cortês, carregar um nenê com eles para todo lugar que vão? Que tem lugares onde uma criança pequena interfere e atrapalha com as atividades que estão sendo desenvolvidas lá?
A maioria das pessoas não fala nada por educação e porque reclamar de um nenê é mal visto aqui. Mas eu aposto que não era só eu o incomodado. A própria filha do cara não prestava atenção na aula, ficava dando risadinhas do nenê toda vez que ele gritava. Eu acho que o sensei estava incomodado também, pelas olhadas que dava na direção de onde eles estavam.
Infelizmente não era minha prerrogativa mandar o cara sair de lá com o nenê, isso cabia ao sensei e eu não ia passar por cima dele. Mas ele não falou nada, pelo menos durante a aula, acho que por educação. Resta-me esperar que ele tenha dado uma chamada no cara quando não tinha ninguém rodeando.
Eu juro que tento não me irritar
Mas está difícil. Eu realmente tenho que parar de ler as notícias.
Acabei de ler que duas semanas atrás, após um debate em classe sobre a guerra no Iraque durante o qual eles expressaram opiniões críticas sobre o nosso amado presidente, dois estudantes foram removidos da sala de aula e interrogados por agentes do Serviço Secreto. Sem direito à presença de advogado ou sequer dos pais, porque segundo os agentes “vocês são nossos, vocês não tem nenhum direito legal”.
Até aí tudo bem, até você se lembrar que aqui são os EUA, não a Alemanha nazista ou alguma ditadura militar qualquer do terceiro mundo. Ou é?
Esses são dois que nunca mais discordam de nada na vida nem expressam nenhuma opinião em público. Quando eu era moleque me mandaram ficar quieto durante a aula, quando eu critiquei um plano qualquer do governo. Mas mesmo assim, no Brasil ainda recém-saído do militarismo, nenhum araponga foi me interrogar.
Clique aqui para ler a (triste) notícia.
Extravasando um pouco
Li este artigo aqui ontem à noite, e fiquei sem palavras. Já sabia de bastante disso, mas cada vez que leio esses artigos eu fico irado.
O que mais me deixa nervoso, entretando, não é o fato desse idiota fazer esse tipo de coisa. É o fato do povo daqui ainda se recusar a tirar a bandeira da frente da cara para pode enxergar o que está se passando debaixo do nariz deles.
Em outras notícias, uma corte em NY concedeu às vítimas do atentado de 11 de setembro o direito de exigir indenização do Iraque pelo envolvimento deles com o Al-Qaeda. A decisão foi baseada em rumores (que o próprio juiz admitiu serem superficiais) e no fato de que nenhum dos acusados (entre eles os governos do Iraque e Afeganistão, o Saddam, o Al-Qaeda, bin Laden, etc), incrivelmente, sequer se deu ao trabalho de comparecer à corte para se defender.
Não, não estou brincando. E hoje não é primeiro de abril.
Fichado!
Olhem que legal. Numa entrevista para o site Techfocus, a Diretora Legal do EFF, Cindy Cohn, avisou:
“the PADI, NAUI and SSI diving authorities all turned over their lists of certified divers [to the government], so all divers now apparently have a little FBI file”
Isso inclui a Lydia e eu. Que legal, os hóme tem a minha ficha… 
Para ler a entrevista clique aqui.
Estupidez humana
Terminei ontem à noite de ler “Safe Area Gorazde“, uma narrativa jornalística sobre a guerra na Bósnia em formato de quadrinhos.
Não é o tipo de assunto sobre o qual eu costumo ler, mas ouvi tantas opiniões boas sobre esse livro que decidi comprá-lo. Além do mais, é sempre bom se informar sobre o que rola (ou no caso, rolou recentemente) pelo mundo.
Após terminar o livro, a única conclusão possível é que guerra tem que ser uma das coisas mais absolutamente estúpidas que existem. Não que eu já não achasse isso antes, mas conflitos como o da Bósnia e as guerras mais recentes só servem para acentuar ainda mais essa estupidez.
Sinceramente eu prefiro muito mais falar sobre os esquilos roubando bulbos do meu jardim, mas às vezes não dá para ficar sem comentar certas coisas… 
De molho
Estou em casa hoje o dia todo, segundo recomendação do médico. Trouxe serviço para fazer aqui no micro, mas não tive muito saco de trabalhar e então acabei foi ficando a maior parte do dia embaçando na frente do micro. Trabalhar mesmo, só um pouco.
É culpa do meu chefe mesmo. Eu trouxe para casa uma documentação interna de programa para atualizar, mas ele pediu para eu incorporar um outro documento sobre o mesmo programa que ele escreveu separado. O problema é que ele embaça incrivelmente nas documentações. O documento dele tem 30 páginas para uma seção que no meu documento tem umas 4, além disso e a estrutura do documento não tem nada a ver com o que eu tinha escrito originalmente. E acreditem, não explica melhor do que eu expliquei.
Ou seja, agora tenho que basicamente reescrever tudo, não dá para simplesmente copiar e colar. Odeio fazer esse tipo de serviço, ficar arrumando as coisas mal feitas dos outros. Já basta quando ele se mete a fazer alterações nos programas e depois eu tenho que arrumar porque está mal codificado ou não funciona direito. 
Tem dias em que me sinto um personagem da tira do Dilbert.
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