Críticas

Fragmentos de uma conversa

Eu numa festa, falando com alguém que tinha sido me apresentado ali.

Eu: …é, tem bastante bichos lá em casa.
Ele: Bicho em casa só tem os que eu não matei ainda.
Eu: Como?
Ele: Lá em casa só sobrou os bichos que ainda não consegui acertar tiro.
Eu [minha expressão se esvaziando de qualquer empatia]: Hã.
Ele: É, eu passo fogo em tudo que é bicho que aparece por lá.
Eu [já pensando numa maneira de ir embora]: Hã.
Ele: Tem uma marmota lá que já estou tentando pegar faz tempo, mas ela tem sexto-sentido. Outro dia escapou por um tantinho assim de levar chumbo, eu estava me virando com o revólver quando ela sumiu.
Eu: A gente tem marmota em casa, mas não se incomoda com elas. Nós deixamos ela lá.
Ele: Ah… mas eu me incomodo porque elas estragam a fundação da casa. [detalhe, a fundação das casas aqui é de quê mesmo? Certo, concreto]
Eu: …
Ele: E onde eu moro tem muito mato, eu acabo com uma leva já chega uma leva nova de bichos.
Eu: …
Ele: A marmota fez um túnel por baixo do meu shed… eu enchi de cimento mas ela atravessou enquanto estava molhado ainda. [detalhe, encheu de cimento com a marmota dentro]
Eu [vendo a cadeira vagar do outro lado da sala, ao lado da Lydia]: Deixa eu ir sentar ali do lado do ar-condicionado.

Me lembrei da Érica e os papos que ela arruma via internet. Infelizmente esse aí era ao vivo mesmo, na casa dos outros. Não dava nem para desconectar.

Baita furo

Hoje eu e a Lydia fomos para Philadelphia num encontro para gente “childfree” promovido pelo MeetUp.

Chegamos no lugar combinado antes da hora, esperamos… e fomos os únicos que foram. Ninguém mais apareceu.

Pelo menos comemos uma pizza gostosa, andamos um pouco pelo centro e eu tirei mais de 70 fotos… vou colocá-las num post separado.

Bem feito para os escoteiros!

Alguns de vocês devem saber que fui escoteiro por uns 14 anos da minha vida. Saí pouco antes de conhecer a Lydia, por causa de intrigas políticas no grupo escoteiro onde eu era assistente de chefia. Tudo por culpa dessa gentinha que fica fazendo politicagem numa organização onde o pessoal que trabalha é voluntário.

Aqui nos EUA eu nunca cogitei trabalhar com escoteiros, inicialmente por causa do problema que é trabalhar com crianças aqui (todo mundo é louco para acusar os outros de molestar as crianças deles para tentar ganhar uma grana).

Depois eu definitivamente abandonei a idéia quando 3 anos atrás o movimento escoteiro daqui entrou na justiça para defender o direito deles de excluir homossexuais da organização. Eles ganharam a causa, sendo considerados uma organização privada com direito a estabelecer critérios para a seleção dos membros.

Na semana passada, entretanto, um juiz da Califórnia decretou que os escoteiros são uma organização religiosa.

Essa decisão foi um efeito colateral de um processo movido contra os escoteiros pela ACLU (uma associação de proteção às liberdades civis) contra um contrato de aluguel que os escoteiros tem com a cidade de San Diego deste 1945, onde eles retém o uso de 18 acres de terreno público, pagando US$1 por ano.

A ação acusa a prefeitura da cidade de favorecimento, por permitir que uma organização religiosa use um terreno público como sede, gratuitamente.

A união dos escoteiros daqui dos EUA é uma organização ostensivamente anti-gay, anti-agnosticismo e anti-ateísmo, e após problemas com dois meninos, um o filho de um casal de lésbicas e o outro filho de agnósticos, os dois casais pediram à UCLA que intercedesse.

Eu apóio completamente a decisão do juiz de suspender o uso do terreno. Quando eu fui escoteiro eu não podia falar que não tinha religião, senão teria que sair do grupo. O argumento era que eu teria que jurar em nome de deus ao fazer a minha promessa de escoteiro, e se não acreditasse, minha promessa não era válida. O fato de eu também dar a minha palavra de honra obviamente não contava em nada.

Naquela época eu não era tão ativista como agora, então engolia o sapo e tudo bem. Mas hoje eu acho um completo absurdo, e eu jamais me associaria a uma organização como essa.

Que eles tenham o direito de excluir pessoas baseando-se em preferências pessoais, até aí tudo bem, problema deles. Mas como diz o processo, então eles que não venham pedir tratamento preferencial no uso de propriedade pública se não permitem que todo mundo a use.

Outras organizações como o YMCA tiveram que abandonar suas políticas de exclusão para manterem esses privilégios. Está na hora dos escoteiros decidirem se juntar aos nossos tempos e deixar essas políticas retrógradas para trás. Infelizmente, a decisão ainda vai ser apelada então pode ser revertida. Eu torço para que não seja.

Discriminação, logo cedo

Era para ter um post via audblog aqui que eu fiz mais cedo, não sei o que aconteceu. O post via audblog demorou para aparecer aqui no blog, mas chegou. Quem quiser escutar clique aqui ou procure o post no dia de hoje, mais cedo.

Revisando então. Fui de manhã cedinho ao Bucks County Community College para me inscrever no curso de Cerâmica. Cheguei lá com a Lydia às 7:30 e esperamos até as 7:50 para a mulher das inscrições chegar. A Lydia e eu éramos os primeiros da fila.

A Lydia entregou a ficha dela e pronto, estava tudo certo. Quando eu fui entregar, a mulher recusou porque eu não sou cidadão americano. Disse que não podia fazer nada com ela, e que eu teria que esperar uma outra pessoa que só chegava mais tarde.

E pronto. Me descartou. Assumiu que eu ia ficar lá esperando, e já queria atender a próxima pessoa. Quando eu pedi para ela verificar a disponibilidade do curso para mim, ela me respondeu que tinha que atender as outras pessoas antes, mas que como eu iria ficar lá esperando por um tempo ainda, ela veria depois.

Eu falei que não iria ficar esperando coisa nenhuma, pois tinha que ir trabalhar. Ela então respondeu que sentia muito mas não podia me ajudar então.

Saí de lá soltando fumaça, obviamente. Não tinha ninguém mais lá, então estou esperando dar umas 9:00 para tentar ligar e falar com alguém que possa fazer alguma coisa e com quem eu possa reclamar sobre o atendimento.

Update: a pessoa com quem eu tenho que falar só vai estar lá na segunda, e os malditos que trabalham na seção não me dão explicação de nada, só me dizem que eu tenho que falar com o tal cara.

Crueldade com animais

Já faz anos que nós só damos comida da Iams para os nossos gatos.

Ontem, por acaso, descobri que essa empresa está envolvida em experiências cruéis e maus tratos com animais. Achei referências a investigações feitas por duas agências de proteção aos animais.

No site do PETA você pode, além de ler as descrições do terrível tratamento dos animais, ver fotos e assistir a um vídeo que foi feito por uma espiã que se empregou no laboratório e trabalhou lá por 9 meses no ano passado.

Um aviso… me deu até dor de cabeça ontem enquanto eu passeava pelo site lendo, vendo as fotos e o filme. Veja por sua conta e risco. Não tem nada de grotesco, mas é extremamente depressivo. :-(

O resultado é que não compro mais comida da Iams daqui para a frente e vou escrever para eles falando o porquê. Vou procurar outra marca que não seja feita por eles ou empresas associadas.

Pilantragem?

Ontem à noite nós fomos ao K-Mart, devolver umas coisas que compramos mas resolvemos não usar.

Enquanto esperávamos na fila do Atendimento ao Consumidor, pude ouvir o caso de um casal (o cara tinha idade para ser pai da menina, mas sei lá) na nossa frente, que tentava fazer uma devolução também.

A garota estava tentando convencer a funcionária da loja a aceitar a devolução de um livro que dizia ter comprado lá. Até aí, não teria problema, exceto que:

1) Ela disse tinha comprado o livro algumas semanas atrás;
2) Não tinha a nota fiscal;
3) O livro tinha cara de ter sido bem lido;
4) O livro não registrava quando passava pelo scanner do caixa.

Quando a funcionária recusou, a garota quis falar com o gerente. O cara veio, ouviu a mesma ladainha, tentou escanear o livro — também sem resultado — e finalmente acompanhou o casal para ver se havia outro livro igual nas prateleiras.

Não sei o que aconteceu, no final das contas, mas não duvido muito que eles tenham conseguido receber o dinheiro de volta. Dinheiro esse que eu, pessoalmente, não acredito que eles gastaram na loja. Tirando o fato de que o livro nem registrava como sendo vendido pelo K-Mart e aparentar ser usado, os dois tinham a maior cara de pilantra.

Mas isso vou deixar para o público decidir. Se você acha que a garota era uma pilantra à fim de enganar o gerente, ligue para 1-800-PILANTRA. Se não, ligue para 1-800-BARANGA. 😉

É duro ter que ver essa mentalidade. Uma das coisas boas daqui é você poder reclamar numa loja e conseguir uma devolução por algo que não funciona direito ou não cumpre o que promete, por exemplo. Só que quando o pessoal abusa disso, todo mundo sofre.

Por exemplo, o Home Depot, uma rede de lojas de materiais de construção daqui, tinha uma política de devolução extremamente liberal. Eles aceitavam devoluções não interessando quando o item foi comprado, muitas vezes nem precisava da nota fiscal se o item fosse vendido lá.

Só que, depois de ter aturado gente devolvendo coisas usadas depois de anos, ou insistindo que comprou artigos que não são vendidos por eles, essa política foi mudada.

Algumas das histórias que ouvi de funcionários de lá incluem tapetes velhos e sujos que eram devolvidos para serem trocados por um novo, ferramentas que era compradas, usadas para algum serviço e depois devolvidas, até mesmo uma privada velha que uma pessoa arrancou e quis trocar por outra.

Agora no Home Depot você tem 3 meses no máximo para devolver as coisas, necessita de nota fiscal ou só recebe crédito na loja, entre outras restrições.

Nada disso seria necessário, claro, se não fosse o abuso.

Desabafo

Não gosto de reclamar muito da vida aqui no blog, mas desde ontem tem algo engasgado que eu preciso colocar para fora. Fazendo minhas as palavras do Agente Smith:

“I’m going to be honest with you. I hate this place, this zoo, this prison, this reality, whatever you want to call it. I can’t stand it any longer… I must get out of here. I must get free…”

Pronto, melhorou. Voltamos agora à nossa programação habitual. 😉

Virose mental

Faz um tempinho eu fui introduzido ao conceito de “memes” por uma história em quadrinhos do Warren Ellis.

Memes, segundo a teoria, são uma espécie de “vírus mentais”. São idéias que se comportam como viroses, infectando hospedeiros, afetando seu comportamento, se multiplicando e se espalhando pela população. A validade das idéias transmitidas por uma meme não interessa, apenas a sua capacidade de reprodução e sobrevivência.

Uma boa meme tem mecanismos para se instalar num hospedeiro, convencê-lo a espalhá-la e prevenir outras memes similares de infectarem o hospedeiro (o que destruiria a meme anterior). Memes que não são suficientemente boas tendem a desaparecer rapidamente, vítimas de um processo semelhante ao da seleção natural.

Por que estou falando disto? Ontem fui a um batizado e, observando meus sobrinhos, tive a oportunidade de ficar analisando como essas idéias são implantadas na cabeça da gente desde pequeno. Caso vocês não tenham se tocado, religiões são ótimos exemplos dessas memes mais elaboradas.

É fácil de perceber porque, para a imensa maioria das pessoas, é tão difícil de se libertar dos grilhões de uma idéia que foi imposta a você deste a mais tenra idade. Você pode até trocar de uma religião para outra semelhante com uma certa facilidade, mas os conceitos básicos desse tipo de meme são muito eficientes, frutos de uma evolução longa e extremamente difíceis de serem desalojados do seu subconsciente.

A cerimônia consistia em uma série de compromissos que os pais e padrinhos assumiam, de criar as crianças segundo a fé católica. Isso é reforçado várias vezes para eles como um grupo e individualmente, sempre colocando a responsabilidade como essencial para a segurança da criança e a aceitação dela na comunidade.

Para a platéia, as frases-resposta serviam como uma participação na cerimônia. O mais assustador é ver as crianças, que normalmente não prestavam muita atenção a nada, rapidamente passarem a repetir as mesmas frases ao ver que o resto do pessoal o fazia.

Não admira que elas cresçam severamente limitadas em sua capacidade de entender o mundo à sua volta de uma maneira objetiva: a elas não é dada nenhuma chance de escolher, nenhuma chance de refletir sobre aquilo em que elas são coagidas a acreditar. É tudo martelado na cabeça delas, usando os mecanismos de procriação da meme: aceitação dos seus pares (que já carregam a meme com eles), recompensa pela aceitação da meme e punimento pelo simples questionamento da mesma.

Acho que lembrar dos meus sobrinhos repetindo as frases sem nem saber o que estavam falando me impressionou, e me fez ficar bastante triste ao perceber que, para eles, a escolha do que eles vão acreditar já foi tomada sem dar a eles nenhuma chance de decidir. Mas essa é exatamente a natureza das memes religiosas e uma das razões pelas quais elas sobrevivem por tanto tempo e se propagam tão facilmente.

Uma última coisa: o próprio conceito de “memes” é, por si próprio, uma meme (ou talvez uma meta-meme).

Vocês todos agora também estão infectados. :-)

Propaganda Enganosa

O pessoal que administra o prédio aqui onde fica o escritório mandou hoje na hora do almoço um monte de pizzas e refrigerantes de presente para a gente.

Como eu estava com sede agora à pouco, fui lá na cozinha buscar água. Os refrigerantes ainda estavam lá dando sopa, então ao invés de água, peguei um copo de Sprite.

Na televisão a propaganda da Sprite tem muito cubo de gelo, água caindo, só falta ter neguinho congelando de tão refrescante que é. Até falam para você tomar Sprite para “obedecer à sua sede”.

Estou aqui tomando a desgraça, mas quem disse que a sede passa? Na vida real, Sprite não mata a sede porcaria nenhuma. Muito pelo contrário, acho, minha boca está cada vez mais seca, pior, seca e com um gosto residual de refrigerante.

Acho que é por isso que não costumo tomar essas coisas. Tinha me esquecido… 😐

Tortura

A Lydia me ligou agora.

– Eu saí agora na hora do almoço e comprei um presente para você.
– Presente? Oba!
– Só que eu comprei para te dar no seu aniversário…

Caramba, ainda falta mais de um mês e uma semana! Agora eu vou ficar agonizando de tanto querer saber o que é… :-(

Go to Top