Plantão Médico

Atividades proibidas

Ontem, contrariando as ordens do meu médico, fui à aula de aikidô. Afinal, não fiz nada que não seja tradição por aqui… este país sofre de “surdez seletiva”, quando o que é dito não convém, eles simplesmente fingem que não escutam…

Mas isso não quer dizer que não fui cuidadoso. A aula de ontem foi o início de um grupo novo que está fazendo o curso introdutório de aikidô, então a coisa foi bem tranquila. Hoje à noite tenho aula de armas, que também é menos intensa do que as aulas normais.

Um pouco menos dodói, mas ainda não 100% operacional

Ontem à tarde eu fui até a casa do meu sensei, que é praticante de Feldenkrais, para uma sessão. Ajudou bastante a minha omoplata, mas não tanto o pescoço. Vou fazer outra sessão com ele no sábado.

Esse método consiste basicamente em “ensinar” os músculos afetados a se relaxar novamente. É incrível como você acumula montes de tensão em partes do corpo sem perceber. Você tem que aprender a “convencer” seus músculos a relaxar, é um processo estranho, mas que até onde posso comprovar por experiência pessoal, funciona.

E, antes que alguém resolva me acusar de ser mané, isso não envolve nada dessas falcatruas tipo Reflexologia, Radiestesia, Reiki ou tranqueiras similares. 😉

Através de movimentos pequenos e lentos, sozinho ou com a ajuda de uma outra pessoa (que nesse caso é quem move o seu corpo), você aprende a perceber como os seus movimentos são estruturados, o que é afetado, o que está ligado com o que, ao mesmo tempo localizando onde é que estão os focos de tensão muscular. O mais difícil é aprender a conseguir “largar” os músculos e deixar que a outra pessoa mova você sem ajuda, mas fazendo isso você ao mesmo tempo aprende a relaxar esses focos de tensão, o que elimina boa parte do desconforto e ajuda na recuperação.

Hoje de manhã, na fisioterapia, deu para perceber como montes desses princípios são compartilhados entre os métodos usados na fisioterapia tradicional, Feldenkrais e até, não tão surpreendentemente, na meditação Zen e o próprio aikidô. Muito louco.

O plantão médico informa…

Fui à fisioterapia hoje de manhã. Meu ombro esquerdo está melhor, aparentemente o golpe não afetou a lesão existente no meu manguito rotador. A tendinite está melhorando gradualmente com os exercícios e ultra-som na fisioterapia, mas não sei por quanto mais tempo ainda terei que tratá-la.

De molho

Estou em casa hoje o dia todo, segundo recomendação do médico. Trouxe serviço para fazer aqui no micro, mas não tive muito saco de trabalhar e então acabei foi ficando a maior parte do dia embaçando na frente do micro. Trabalhar mesmo, só um pouco.

É culpa do meu chefe mesmo. Eu trouxe para casa uma documentação interna de programa para atualizar, mas ele pediu para eu incorporar um outro documento sobre o mesmo programa que ele escreveu separado. O problema é que ele embaça incrivelmente nas documentações. O documento dele tem 30 páginas para uma seção que no meu documento tem umas 4, além disso e a estrutura do documento não tem nada a ver com o que eu tinha escrito originalmente. E acreditem, não explica melhor do que eu expliquei.

Ou seja, agora tenho que basicamente reescrever tudo, não dá para simplesmente copiar e colar. Odeio fazer esse tipo de serviço, ficar arrumando as coisas mal feitas dos outros. Já basta quando ele se mete a fazer alterações nos programas e depois eu tenho que arrumar porque está mal codificado ou não funciona direito.

Tem dias em que me sinto um personagem da tira do Dilbert.

Vasectomizado

(existe essa palavra?)

Voltei agora do médico. A operação foi rápida e indolor, com um mínimo de desconforto. Uma visita ao dentista é muito pior em termos de dor e desconforto.

Estou meio tonto por causa do Valium que tomei 2 horas atrás. E também não sei como vai ser quando a anestesia perder o efeito, mas tudo bem. Tenho uns remédios que o médico receitou para dor, e também tenho que aplicar gelo no local. Levei um ponto só, é um corte pequeno.

Agora é esperar 2 meses para um exame final para comprovar que a operação foi um sucesso, e dali para a frente é só alegria.

Além disso, agora tenho o direito de colocar na minha página o Golden Snip Award.

Falta pouco agora…

Daqui pouco menos de 5 horas entro na faca. Estava aqui pensando que é uma pena que não tenho um notebook com conexão “wireless”, senão poderia blogar direto da mesa de operação… e com imagens via webcam!

Hmmm. Se bem que pensando melhor, talvez seja bom mesmo que eu não tenho notebook. Podia assustar os meus leitores, e tem gente da minha família que lê isto também…

De qualquer forma, se eu não estiver muito dopado, quando chegar em casa eu coloco uma mensagem aqui para contar como foi a cirurgia. Mas me conhecendo bem, é bem capaz de eu capotar na cama quando chegar e só acordar amanhã mesmo.

Assunto delicado

Muito bem, chegou a hora de eu falar de coisas delicadas… pessoas sensíveis por favor saiam da sala.

Segunda-feira à tarde vou ao médico para ele fazer uma vasectomia em mim.

A nossa decisão de nunca ter filhos foi bem discutida, bem avaliada e uma vez aceita, a gente decidiu tomar as precauções necessárias para que não tenhamos que voltar atrás por um descuido ou acidente. Anticoncepcional não faz bem para a Lydia, usar camisinha pelo resto da vida não é uma boa e laqueadura de trompas é uma cirurgia muito mais invasiva do que a vasectomia. Portanto a responsabilidade ficou por minha conta.

Assustado pela palavra “nunca”, acima? Quem tem mais contato comigo sabe que eu sou muito racional e costumo refletir antes de fazer as coisas. Tanto eu quanto a Lydia somos adultos, responsáveis e a esta altura da vida plenamente capazes de tomar decisões que nos afetam a longo prazo e viver com elas.

Meu relacionamento com a Lydia é forte e completo, não necessitando de uma criança para fazer a gente se sentir “uma família”. Não queremos ser “o papai e a mamãe” ao invés do “Mauro e a Lydia”, não queremos perder a nossa identidade como um casal dedicado um ao outro, não queremos perder a nossa liberdade e espontaneidade, não queremos lidar com todo o stress físico, emocional e financeiro que crianças trazem. Além disso eu particularmente apóio a idéia (utópica, eu sei) do “Movimento pela Extinção Voluntária da Raça Humana“.

Os possíveis mas bastante incertos benefícios de se ter filhos não compensam o que perderíamos, portanto já planejamos a nossa vida a dois e estamos felizes com a escolha.

Os comentários de vocês (a favor ou contra) são muito bem vindos, mas já fiquem avisados que a decisão é final e imutável… portanto, tentar me fazer mudar de idéia é perda de tempo. 😉

Mais detalhes sobre este assunto na segunda-feira, depois que eu voltar do médico.

Caminho sem volta

Como minha contribuição à causa da extinção voluntária da raça humana, marquei uma vasectomia para o dia 3 de março.

Agora não tem mais volta. Nossa decisão (minha e da Lydia) de não ter filhos vai estar irrevogavelmente oficializada a partir do começo do mês que vem.

Para falar a verdade essa decisão já estava em vigor, mas as pessoas tendem a ignorar esse tipo de decisão e simplesmente assumem que você vai mudar de idéia depois. Pois bem… eu não vou. :-)

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