Nossa vidinha

Questão de escala

Hoje na hora do almoço eu fui até o Wendy’s (um fast-food daqui) buscar uma salada que a recepcionista pediu, aproveitando que eu ia sair mesmo para comprar comida.

Como eu teria que ir até outro lugar para comprar meu almoço (não tem nada lá que eu como), resolvi pedir uma porção de batatas fritas para mastigar. Na hora de decidir o tamanho, eu tinha três escolhas: “medium“, “biggie” e “grand biggie“.

O que aconteceu com os tradicionais tamanhos “small“, “medium” e “large“? Aparentemente, ninguém mais quer passar por pão-duro ao pedir por batatas pequenas, então o menor tamanho agora é o médio… 😐

Essa erradicação do “pequeno” nos fast-foods daqui já vem de algum tempo atrás, mas só hoje me chamou a atenção porque parei para pensar nisso.

Isso é que é viver pela aparência… troca-se o nome, e agora o que era pequeno magicamente se torna médio. Apenas com a troca de algumas letras, ganhou-se mais batata frita! Incrível!

Alguém aí leu “1984“?

Discriminação, logo cedo

Era para ter um post via audblog aqui que eu fiz mais cedo, não sei o que aconteceu. O post via audblog demorou para aparecer aqui no blog, mas chegou. Quem quiser escutar clique aqui ou procure o post no dia de hoje, mais cedo.

Revisando então. Fui de manhã cedinho ao Bucks County Community College para me inscrever no curso de Cerâmica. Cheguei lá com a Lydia às 7:30 e esperamos até as 7:50 para a mulher das inscrições chegar. A Lydia e eu éramos os primeiros da fila.

A Lydia entregou a ficha dela e pronto, estava tudo certo. Quando eu fui entregar, a mulher recusou porque eu não sou cidadão americano. Disse que não podia fazer nada com ela, e que eu teria que esperar uma outra pessoa que só chegava mais tarde.

E pronto. Me descartou. Assumiu que eu ia ficar lá esperando, e já queria atender a próxima pessoa. Quando eu pedi para ela verificar a disponibilidade do curso para mim, ela me respondeu que tinha que atender as outras pessoas antes, mas que como eu iria ficar lá esperando por um tempo ainda, ela veria depois.

Eu falei que não iria ficar esperando coisa nenhuma, pois tinha que ir trabalhar. Ela então respondeu que sentia muito mas não podia me ajudar então.

Saí de lá soltando fumaça, obviamente. Não tinha ninguém mais lá, então estou esperando dar umas 9:00 para tentar ligar e falar com alguém que possa fazer alguma coisa e com quem eu possa reclamar sobre o atendimento.

Update: a pessoa com quem eu tenho que falar só vai estar lá na segunda, e os malditos que trabalham na seção não me dão explicação de nada, só me dizem que eu tenho que falar com o tal cara.

Piuíííí! Tchuca-tchuca-tchuca-tchuca…

Passeio

Eu e a Lydia fomos ontem à noite passear em New Hope, uma cidadezinha aqui perto onde a gente gostava muito de passear. Eu disse “gostava”, não? Depois falo disso.

Tirei um montão de fotos. Chegamos lá já com o sol se pondo, então a maior parte das fotos eu tirei à noite, no escuro… e sem flash. Estou experimentando bastante com a câmera, e mesmo não dando para ver muitos detalhes em algumas fotos, achei que de repente as fotos estavam esteticamente interessantes e seria legal incluí-las também… :-)

Esta loja aqui é muito legal… só o cartaz na entrada já vale! :-)

Eu não compraria este carro nem ferrando…

…mas estas taças, sim.

Estes são alguns dos habitantes da cidade. A “massa” na parte superior esquerda da foto dos gansos são filhotes, não um monte de estopa ou panos como pode parecer.

Também encontramos montes de mulas (se não lembram, leiam aqui o post anterior sobre isso). Infelizmente só consegui tirar fotos de poucas, por causa da iluminação já fraca. É muito difícil usar o flash da câmera para tirar fotos delas.

Elas estavam por todo lado, escondidas no fundo das casas, em lojas, restaurantes, até mesmo lá em cima de uma placa de restaurante…

Mas então. Falei que a gente “gostava” de passear lá porque o ar da cidadezinha mudou muito desde a última vez que estivemos lá (faz bem mais de um ano atrás). Era um lugar onde iam muitos malucos, muitos gays, gangues de motoqueiros, etc, e as lojas eram muito variadas e interessantes.

Agora só estão sobrevivendo mesmo galerias de artes com coisas caras e restaurantes. Poucas lojas antigas ainda permanecem. Foi construído um shopping aberto gigantesco atrás da estação de trem histórica, com montes de lojas e galerias caríssimas. O jeitão da cidade ficou… diferente, e nós não gostamos muito. Não acho que vamos querer voltar lá para passear.

Na cabelereira

+ + =

A invasão das mulas

Depois de várias cidades aqui nos EUA entrarem na onda de espalhar pelas ruas estátuas de algum animal enfeitadas por artistas plásticos, qual não foi a minha surpresa quando começaram a aparecer estátuas de mulas aqui por onde moro…

Uma organização chamada “Miles of Mules” resolveu fazer uma homenagem às mulas, que durante muito tempo forneceram o músculo necessário para o transporte de carga nesta região.

Serão mais de 150 mulas, espalhadas por estas redondezas aqui. Acho que o nosso projeto durante o verão vai ser descobrir onde elas estão, para bater fotos.

Hoje eu e a Lydia saímos por aqui e achamos estas aqui. Algumas a gente já conhecia, outras descobrimos zanzando por Doylestown e redondezas. Clique nas fotinhos para ampliar.

Pintura

Como eu disse no post de domingo, nós aproveitamos o feriadão para pintar vários pedaços da casa que não tinham ficado muito bons quando nós repintamos tudo da primeira vez (quando mudamos para cá).

Aproveitei a câmera nova (êêêêêê!) para tirar umas fotinhos da Lydia trabalhando. Como de costume, clique nas fotinhos para ampliar.

Repintamos a sala de jantar, sala de estar, a parede da porta de entrada e o corredor do andar de cima. Em algumas das paredes a Lydia aplicou um “faux finish”, um efeito utilizando uma tinta mais escura e translúcida em cima de uma tinta existente. É isso o que ela está fazendo nas fotos acima.

A casa ainda está uma bagunça, pois ainda precisamos pintar os rodapés antes de colocar os móveis nos lugares deles.

Dia de trabalho (ou seria fim de semana?)

Amanhã é Dia do Trabalho Memorial Day aqui nos EUA, mas aqui em casa a gente começou a comemorar ontem…

Estamos repintando as salas de jantar e de estar. A gente pintou tudo quando mudou, mas não tinha ficado muito bom, então o faniquito tomou conta da Lydia e ela alocou este final de semana prolongado para a gente fazer isso.

Ai, ai… que trabalheira. Ontem ficamos trabalhando até às 23:00 (está certo que começamos tarde), vamos ver até que horas a brincadeira vai hoje e amanhã.

Correção: nossa, viajei na data mesmo, confundi tudo. Obrigado pelo toque, Bewitched… já arrumei o post.

Manifestação Popular

Acabamos de voltar de uma reunião para o pessoal local, que teve lugar no Delaware Valley College (aqui ao lado de casa, onde filmaram parte do filme “Signs“).

O motivo da reunião foi que a Eckerd, uma rede enorme de farmácias, decidiu construir uma loja exatamente no meio de Chalfont, a cidadezinha aqui ao lado de onde moro.

Chalfont é um centrinho de cidade histórico, com casas Vitorianas e Gregorianas, que ainda mantém um ar de cidade pequena mesmo estando em meio a uma região em desenvolvimento acelerado. Infelizmente não tenho nenhuma foto e não achei nada na internet para mostrar.

O projeto da empresa é colocar uma loja tipo esta aqui bem nesse cruzamento central, que é o coração da parte histórica da cidadezinha (que vai uns 2 ou 3 quarteirões para cada lado desse cruzamento).

A loja ocuparia um antigo posto de gasolina (que hoje é uma loja de bagels) e 3 casas antigas junto a ele, que seriam demolidas. Mas mesmo com as modificações propostas ao design do prédio, ele ainda descaracterizaria completamente o cruzamento que é a essência da cidade.

O resultado foi que isso mobilizou bastante gente para essa reunião, que os construtores organizaram para tentar medir o grau de aceitação e receber sugestões do pessoal.

Acho que pelo menos 99% do pessoal que foi até lá estava contra. A única opinião favorável que foi proferida foi a de um velhinho já caquético, que mal conseguia andar ou falar, mas que é o dono de uma das casas que seriam derrubadas (ouvi que a empresa ofereceu US$700.000 pela propriedade dele).

Espero sinceramente que a mobilização do pessoal resolva e que o projeto não vá para a frente. Eles ainda tem que conseguir aprovação de um monte de gente e passar por um certo trâmite legal antes de poderem efetivamente iniciarem a obra. O pessoal daqui tem que ficar em cima, comparecer às reuniões do conselho administrativo da cidade, e exigir que eles não dêem o aval para a obra.

Não é querer ser contra quem está por cima, mas essas corporações realmente são uma merda. Pelo que vi na internet, eles fazem esse tipo de coisa direto, indo em cidadezinhas históricas e demolindo construções antigas para construir as lojas deles onde quer que achem um ponto viável. Nesta página aqui tem vários casos de tentativas semelhantes feitas pela Eckerd. Parece que eles fazem isso de propósito.

A dois quarteirões de distância, na mesma avenida mas já fora do centrinho histórica de Chalfont, tem um boliche e um posto de gasolina que estão fechados faz tempo. Todo mundo apoiaria e ficaria até grato pela construção de uma loja da Eckerd lá (e isso foi dito a eles). Mas eles não queriam nem dizer o porquê deles não considerarem aquele terreno como opção (na saída, ouvi que o dono dos terrenos estava pedindo US$3 milhões).

É uma merda.

Reforma Agrária

Terminamos hoje à noite o desmonte da nossa antiga horta, que ficava lá no fundo do quintal.

Eu e a Lydia começamos a desmantelar a horta no final de semana, e terminamos hoje depois de chegarmos do serviço. Removemos a cerca, o contorno de blocos de concreto e o plástico preto que cobria o chão entre os canteiros.

A horta no fundo do quintal está oficialmente encerrada.

Mas não temam. Agora iremos iniciar os trabalhos na horta versão 2.0.

Essa vai ser menor e vai ficar encostada à casa, para facilitar a manutenção. De quebra, terá a sua torneira própria, onde instalaremos um “timer” que vai ligar e desligar o sistemazinho de irrigação automaticamente. Vai ter também uma cerca mais caprichada e, se der certo, uma “tampa” de tela removível para manter os bichos à distância.

Nada disso, obviamente, foi idéia minha. Aqui em casa quem arruma sarna para eu me coçar é a Lydia mesmo…

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