Livros e Quadrinhos
Mais quadrinhos de graça
Como tem acontecido todo ano, amanhã é Free Comic Book Day, o dia de ganhar quadrinhos de graça!
Os felizardos que moram nos EUA podem se dirigir às lojas de quadrinhos mais próximas e pegar o seu booty! Arrrrrrr! 
Pensando com meus botões…
Estava pensando hoje no chuveiro… se o Super-Homem realmente existisse, ele não teria aquele físico marombado que tem nos quadrinhos.
Ele seria… gordo!
Pensem bem. Além de voar para todo lugar que vai, o que para ele não requer esforço físico, o cara consegue levantar um navio cargueiro pesando trocentas mil toneladas com uma mão nas costas. Para alguém tão forte assim, as atividades do dia-a-dia seriam equivalentes a repouso absoluto, algo do tipo ficar deitado na cama sem se mexer. Afinal, andar no escritório, arrastar cadeiras ou levantar objetos comuns (ou até mesmo carros, se ele quisesse) não significam nada para músculos que conseguem mover montanhas.
Mesmo os eventuais vilões ou bandidos que ele prende esporadicamente não significam nada. Por exemplo, uma quadrilha assaltando um banco. Super-homem decola, aterrisa no local, agarra os elementos, sai voando, deposita eles na delegacia, levanta vôo novamente e vai embora. Total de calorias queimadas com todo esse esforço físico: 0,00000000001 calorias.
Agora imaginem o que aconteceria com alguém que vivesse praticamente o tempo inteiro nesse nível de exercício físico diário. A pessoa viraria um balão rapidinho. Não estou certo? 😉
Lendo com os ouvidos
Já faz um tempo que a gente anda ouvindo audiobooks, que são livros lidos por um ou vários atores. A maior parte, pelo menos dos que a gente pega, são versões na íntegra.
A gente pega os audiobooks, em CD, na biblioteca e escuta durante os nossos trajetos para o trabalho e de volta para casa. Desta maneira, passamos o tempo e aproveitamos para “ler”.
O que é legal é que a gente tem pego montes de livros que não pegaria para ler normalmente, porque a escolha é um pouco limitada. Eles tem centenas de livros em CD, mas a demanda é grande então a maioria está sempre emprestada.
Eu sempre senti muita falta de pegar transporte público para ir trabalhar, pois quando fazia isso em SP eu sempre estava lendo montes de livros. Desde que vim para os EUA, eu sempre tive que dirigir. Agora posso voltar a aproveitar o esse tempo perdido. 
Estou atualmente ouvindo no carro “The Eyre Affair” e peguei hoje “The Fellowship of the Ring” para ouvir em seguida.
Pólvora, traição e intriga
Remember, remember the fifth of November,
gunpowder, treason and plot,
I see no reason why gunpowder treason
should ever be forgot.
Hoje fomos a uma festa de “Bonfire Night“, na casa do Bob, um dos ferradores para quem trabalho.
Em 1605, um grupo de conspiradores liderados por Guy Fawkes tentou explodir o Parlamento inglês. O plano fracassou, mas até hoje o dia 5 de novembro é lembrado pelo povo inglês com fogueiras, fogos de artifício e “malhação de Judas” com um boneco que neste caso é do Fawkes.
Para quem leu “V de Vingança“, isto deve soar bem familiar, não? O personagem V é inspirado em Fawkes e se veste como o mesmo.
No caso do Bob, a coisa toda começou com uma festa suspresa de aniversário para uma inglesa amiga dele, mas acabou se tornando tradição. Aparentemente quase todos os anos eles reúnem os amigos e acendem uma fogueirona imensa. Segundo a mulher dele, em anos passados eles tiveram fogos de artifício e até mesmo o boneco.
Para a gente estava meio chato porque não tinha ninguém (além dos anfitriões) que eu conhecia e a festa não estava muito animada, por causa da depressão geral após o fiasco das eleições… eles quiseram manerar nas manifestações políticas. Quem sabe no ano que vem melhora.
Barganhas
Hoje nós resolvemos entrar num brechó que tem aqui atrás de casa para dar uma olhada. Já havíamos passado por lá várias vezes para fazer doações, pois o brechó faz parte de uma organização que arrecada dinheiro para abrigos de mulheres vítimas de violência doméstica, mas nunca tínhamos entrado na loja propriamente dita.
E não é que eles tem uma seção bem grande de livros? A organização é praticamente “aleatória”, com apenas uma separação mais ou menos por gênero, então não consegui ver tudo nos 10 minutos que tinha até a loja fechar. Mas já descobri onde serão as minhas futuras compras de livros… 
Comprei:
– The Folk Of The Fringe (de Orson Scott Card, paperback, 306 pg) por $0,50
– Ender’s Game (de Orson Scott Card, paperback, 357 pg) por $0,50
– Three Complete Novels (de Dean Koontz, hardcover, 737 pg) por $0,75
Também compramos um salt pig feito à mão na roda de oleiro, muito provavelmente no mesmo lugar onde a gente cursou cerâmica (deduzimos isso por causa do verniz que foi usado nele), por mero $1,00.
É tão bom comprar coisas bem baratinho… 😛
Onde “1984” e “Star Trek” se encontram
Desde a semana passada eu venho ouvindo o audiobook de “1984” enquanto dirijo, indo e voltando do serviço.
Hoje eu cheguei em uma parte do livro onde, durante uma interrogação, o interrogador mostra 4 dedos da mão e tenta fazer com que o interrogado veja 5 dedos através do uso de uma máquina que provoca dor intensa pela simples manipulação de um controle. Onde é que eu tinha visto isso antes?
Não precisei pensar mais que alguns segundos para descobrir… foi em um episódio duplo de “Star Trek: The Next Generation” chamado “Chain of Command” (parte 1 e parte 2). Nesse episódio, o Capitão Picard é preso e passa pela mesmíssima sessão de tortura, só que ao invés de dedos, são usadas 4 luzes.
Achei fantástico. Para mim, só confirma duas coisas: que “1984” é realmente um clássico daqueles que não perdem a força com o passar do tempo e que ST:TNG realmente uma série de televisão de alto nível, do tipo que já não se faz mais hoje em dia. Recomendo ambos.
Antes de Itto Ogami…
…havia o Decapitador Asaemon.
Itto Ogami é o Lobo Solitário, o assassino do carrinho de bebê, a criação lendária da dupla Koike e Kojima, um mangá que gerou um monte de filmes e adaptações para TV e inspirou derivações e cópias desde que foi publicada na década de 70. Eu já falei um pouquinho sobre isso antes, neste post aqui.
Mas, antes de criarem Ogami, a dupla já havia criado o personagem Kubikiri Asa, o Decapitador Asaemon, o samurai responsável pelo teste de todas as espadas dos daimyô e do Shôgun. Para os que leram a série do Lobo Solitário, o nome deve soar familiar: o Decapitador Asaemon encontra e enfrenta Itto Ogami durante a série.
Em 1995, Koike e Kojima escreveram uma série em quadrinhos contando a história de Kubikiri Asa, desde a sua nomeação como testador de espadas do Shogun até seu encontro com Ogami. A Dark Horse, editora de quadrinhos americana, começou esta semana a publicar a saga aqui nos EUA sob o nome de “Samurai Executioner“, em 10 volumes de 300+ páginas.
Para os fãs do trabalho da dupla e da série do Lobo Solitário, essa notícia é um presente de Natal em pleno Agosto. Já estou aqui com o primeiro volume da série, lendo devagarinho para durar bastante… 😉
Parágrafo bônus: os leitores mais velhos talvez se lembrem do início da extinta TVS (a primeira rede de TV do Sílvio Santos, que eventualmente virou o SBT), quando eles passavam às segundas-feiras à noite uma série chamada “Samurai Fugitivo”. Essa série não era nada mais do que uma das adaptações para a TV do mangá do Lobo Solitário. Procurei durante anos mas infelizmente nunca consegui encontrá-la para vender… mas pelo menos tive a oportunidade de assistí-la quando criança. Inesquecível.
Quadrinhos de graça, de novo!
Lembram quando as lojas de quadrinhos daqui distribuíram revistas de graça no ano passado?
Este ano elas vão atacar novamente. O “Free Comic Book Day 2004” acontece neste sábado.
Quem mora nos EUA pode procurar o endereço da loja mais próxima no link acima e ir buscar as suas revistinhas. São somente alguns títulos que serão distribuídos, mas mesmo assim… de graça até injeção. 
Para usar como referência
Um dos vizinhos aqui está se mudando e ele fez um “garage sale” no domingo. Ele tinha um monte de livros lá para vender então eu comprei todos os que me interessavam por $1 (preço pelo lote todo).
Tinha lá dando sopa uma bíblia, então eu achei que pelo preço valia à pena pegar, para eu ter aqui em casa como referência. Além do mais, eu preciso ler o livro de capa à capa novamente, já que volta e meia aparece alguma discussão sobre isso.
O interessante é o título: “Holy Bible – The New Revised Standard Version, Catholic Edition”. Ou seja, além de ser uma nova versão, foi revisada e depois ainda foi alterada para ser a edição católica. Na capa de trás, em letras grandes, o anúncio “A New Standard”.
Inspira muita confiança mesmo, já que supostamente isso é a “palavra verdadeira” de Deus, imutável e inerrante. Como pode ser “verdadeira” se tem um zilhão de versões diferentes, cada uma clamando para si a distinção de “versão correta”?
E ainda tem gente que tem a capacidade de achar que o bagulho é literal. Tsk, tsk, tsk. 
Deixados para trás
Estou devendo este post faz tempo.
Como eu prometi, peguei a série “Left Behind” para ler. Na verdade eu peguei os dois primeiros da série juvenil e o primeiro da série regular.
Já terminei de ler tudo. O que dizer depois dessa experiência iluminadora… que o sangue de Jesus tem poder?
Eu me senti, na verdade, lendo um dos livretinhos de crente do Jack Chick, só que esses tinham muito mais páginas.
A Dani disse que não havia muita pregação na versão juvenil, mas eu acho que ela se enganou. Eles não passavam dois parágrafos sem mencionar Deus ou Jesus, falar como eles nos amam e ficar batendo na tecla que os garotos tinham que se converter. Pelo menos é assim nos dois primeiros volumes da série.
A maneira como eles caracterizam os não-crentes, especialmente os ateus, como covardes, egoístas e desonestos, assim como o fato de que segundos após você se converter você vira uma pessoa boa, ao mesmo tempo em que insistem que não se precisa ser bom para se salvar, são particularmente interessantes.
Eles pegam pesado mesmo, especialmente se considerarmos que quem vai ler é jovem e mais facilmente doutrinável, uma vez que normalmente já são criados acreditando no deus cristão, embora não sejam necessariamente crentes.
A versão adulta é um pouquinho mais leve na pregação (mas ela está lá pelo livro todo).
Uma das coisas que me chamou a atenção na versão adulta é que como os autores são safados. Durante a leitura, as perguntas óbvias vêem à cabeça, por exemplo, “se Deus é tão bom assim, por que deixa essas coisas acontecerem”. Essas perguntas são feitas por personagens, mas as respostas nunca são dadas, as outras pessoas só desconversam. Mas do jeito que o texto é escrito, fica a impressão de que essas dúvidas foram abordadas, se você não prestar muita atenção. Very sneaky.
Outra coisa engraçada que não é necessariamente limitada a esses livros, mas sim é uma opinião generalizada dos crentes, é que ninguém que conhece a bíblia consegue deixar de acreditar nela. Todo mundo nos livros que é deixado para trás, os ateus, outras modalidades de cristãos e mesmo os crentes meia-bocas, nunca tinham realmente prestado atenção na bíblia, mas no momento em que alguém explica tudo para eles, a tal “verdade” fica clara. Esse é um tema comum nas tirinhas de crente, e sempre me deixa perplexo. Esses crentes tem deficiências cognitivas sérias.
Apesar da versão adulta ser ligeiramente mais tolerável, achei muito fraquinha como história de ficção, e não pretendo pegar os outros volumes para ler. Não vale à pena tolerar a pregação toda para chegar no pouco conteúdo interessante.
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