Críticas
Extra! Extra!
O povo americano acaba de dar mais uma demonstração do quanto é idiota, mal informado e de que não está nem aí com nada que não diga respeito aos EUA: o Moita do Mal foi reeleito presidente.
Eu sinceramente temo pelo futuro.
Alô?
Vocês nem vão acreditar quem ligou para cá hoje.
Eu estava limpando a casa, quando o telefone tocou. Atendi, e era o Bill Clinton! Ele se apresentou e, sem esperar resposta, saiu logo dizendo que nesta eleição eu deveria votar para os Democratas.
Eu quis interrompê-lo para perguntar como ele estava e etc, mas ele não parecia estar me ouvindo, simplesmente continuou falando até dizer tudo o que queria, depois desligou sem esperar resposta.
Acho que eu tenho que dar uma folga para o cara. Afinal, ele deve ser super-ocupado, mas mesmo assim tirou uns minutos especialmente para ligar para mim. É compreensível que ele não podia perder tempo com papo-furado. Com certeza ele ainda tinha muitas ligações a fazer e cada minuto conta.
Aliás o cara deve estar super-estressado, pois não tinham se passado 15 minutos e ele ligou de novo. Acho que se confundiu de número, ou então achou que eu não tinha ouvido o recado direito na primeira vez.
Obrigado por se lembrar de um zé povinho como eu, seu Clinton!
Agora, voltando à realidade… não aguento mais. 
Não recebo mais ligações de telemarketers graças à “Do Not Call List”, mas essa lista não afeta organizações de caridade nem campanhas políticas. E esses caras são piores que os telemarketers, não me dão sossego.
São gravações com mensagens dos Democratas, dos Republicanos, do Bill Clinton, do Kerry, do Bush, dos candidatos locais, de gente me avisando para não esquecer de ir votar… trocentas vezes ao dia. Hoje eu estava à ponto de tirar o telefone do gancho, mas não podia porque estava esperando uma ligação. 
Não vejo a hora dessa eleição passar.
Third time is the charm… NOT!
Depois da terceira tentativa frustrada de assistir “Ghost In The Shell 2: Innocence“, está oficializado: eu desisto. 
O filme está passando somente em uma sala na região de Philadelphia inteira e não deve continuar sendo exibido até o final de semana. O cinema não é muito distante de casa, mas trânsito absurdo ou acidentes catastróficos causando o fechamento de vias principais no caminho realmente atrapalham quando se tem hora para pegar uma sessão.
Assisto quando, e se, sair em DVD. 
Você é um gato ou um rato?
…e deve ser praga do Cido, que ontem mesmo reclamou que não escrevo mais sobre os gatos.
Hoje o Van Gogh e a Bunny tinham consulta no veterinário para vacinação. Colocamos o Van Gogh no carregador e a Bunny numa caixa de papelão, saímos de casa e fomos para o carro.
Não é que na hora que estou colocando o gato dentro do carro o desgraçado resolve se mijar de medo? Foi xixi para todo lado, no gato, no assento, na porta do carro, em mim, no driveway… e eu tentando tirar o carregador de perto do carro o mais rápido possível.
Pelo menos parece que o estrago não foi grande. O revestimento do assento do carro não aparenta ter absorvido nada, e a porta e lado do carro nós limpamos com produto de limpeza.
Mas só vamos saber mesmo mais tarde, pois a Lydia saiu (atrasada, depois da confusão) para levar a Bunny tomar vacina, enquanto eu fiquei em casa para dar banho no Van Gogh, limpar o carregador e lavar minha roupa.
Dá vontade de esganar o bicho, não dá? 
Atualização: poxa gente, não precisam se preocupar, não vou esganar o gato não… é só força de expressão, né? 😉
O cheiro ficou no carro sim, infelizmente, mas a Lydia comprou um produto ferrado lá para limpar estofamento. Já aplicamos no banco do carro e no tapete, agora é esperar para ver se dá resultado.
Palavras de sabedoria
Do fundo do poço de sabedoria que é o Jorge Moita, saiu ontem a frase:
“Nossos inimigos […] nunca param de pensar em novas maneiras de prejudicar nosso país e nosso povo, e nós também não.”
Da próxima vez cale a boca, cabeção! 
Treinamento de dedo-duros
Agora eu realmente me sinto mais seguro. O Department of Homeland Security daqui está treinando caminhoneiros para vigiar as estradas do país, à procura de terroristas muçulmanos.
A capacidade desses indivíduos cuidadosamente selecionados pelo governo pode ser comprovada pelas declarações deles:
“Nós recebemos uma ligação terrorística (sic) outro dia, mas era só o namorado de uma das funcionárias“.
“Você pode dizer de onde eles são. Você pode escutar o sotaque. Eles não são gente muito limpa“.
Outros explicam como é fácil achar os “islâmicos” (sic): basta procurar pelos turbantes. Claro que não interessa o fato de que, como o link acima menciona, a maior parte dos homens que usa turbante nos EUA não são muçulmanos, mas sim sikhs.
Infelizmente, além de preconceituosos e racistas, grande parte dos americanos não faz a menor idéia de onde as pessoas são, seja pelo sotaque ou pela aparência física. Eles são incapazes de distinguir um árabe de um indiano ou mesmo de um brasileiro, muito menos dizer se são muçulmanos ou não (mesmo que isso fosse justificativa), como provam os ataques a indivíduos ocorridos na época do “9/11”.
Dar poder de polícia a gente dessa é pedir para acontecerem abusos… mas quem sou eu para falar alguma coisa, sou só um estrangeiro sujo e que fala com sotaque mesmo. Se bobear vou ser dedurado na estrada por algum caminhoneiro. 
Salve o Rei Moon
Vocês se lembram do Reverendo Moon? Ele mesmo, o líder de seita religiosa que prega a unidade das religiões e das nações sob o controle dele mesmo como representante de Deus, o extermínio dos homossexuais, e outras coisas legais.
Ele ainda está vivo e bem, cada vez mais influente. É dono do jornal Washington Post Times e agências de notícia, e é chegado do governo Jorge Moita, onde é uma eminência parda. Mais um ponto para o nosso querido filho-da-puta de presidente.
Em março, ele e a esposa foram coroados numa cerimônia com direito a coroas cravejadas de pedras preciosas, mantos, etc, por membros do Congresso Americano, num dos prédios do Congresso.

A história foi varrida para baixo do tapete e não foi mencionada pela imprensa em geral. Só está mesmo pegando força agora após a lebre ter sido levantada por uma revista online.
Não sei sobre vocês, mas esse é o tipo de coisa que me deixa preocupado com o futuro. 
Leiam mais nesta matéria do Salon. Para ter acesso à matéria completa, basta assistir a uma propagandinha rapidinha.
Perigo indefinido?
Está escrito em todos os jornais e sendo falado nas rádios hoje: o governo tem informações “confiáveis” de que terroristas estão planejando algum ataque.
O único problema é que eles não sabem dizer se vai mesmo acontecer, quando vai ser, onde vai ser (nem ao menos se vai ser nos EUA) ou como vai ser. Não sabem se os terroristas tem bombas, armas químicas ou biológicas. Tanto é que não pretendem nem aumentar o tal nível colorido de alerta contra terrorismo.
Então que merda de notícia é essa, que tem que ser divulgada amplamente pela imprensa? É completamente vaga e abstrata, fala sobre algo que nem se sabe se vai ou não acontecer, não fornece informação nenhuma, não previne ou remedia nada. Não tem conteúdo ou propósito nenhum a não ser manter o nível de alarmismo e medo mantidos pelo governo atual.
Os EUA são mesmo uma nação presa nas garras do medo. E da estupidez. 
Santa ignorância
Numa demonstração de que ignorância aparentemente é contagiosa, ou que “macaco vê, macaco faz”, o Rio de Janeiro vai aderir à mania americana e ensinar criacionismo nas escolas públicas. Ao que parece, os crentes do Brasil estão aprendendo com os daqui e estão influenciando os políticos para minar mais ainda o pouco que sobra do ensino científico no Brasil.
Eu não tenho nada contra as pessoas quererem acreditar que existe um criador por trás da origem da vida e etc, mas querer “oficializar” essas idéias ridículas tiradas da bíblia é exatamente o que sou contra. Os crentes brasileiros estão usando os mesmos argumentos furados que se usa aqui nos EUA para defender uma idéia sem fundamento nenhum (a não ser ter sido escrita num livro há muito tempo atrás) e tentar substituir uma pedra fundamental da biologia, já testada e comprovada inúmeras vezes, por uma historinha de conto de fadas.
Esse é uma postura estúpida. O que os crentes e outros fanáticos não conseguem entender é que você pode conciliar a crença em um ser superior com a realidade comprovada pela ciência.
Considerem o que Carl Sagan diz no seu livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro“. Ele menciona a seguinte conversa com o Dalai Lama, líder espiritual do Budismo Tibetano (tradução minha):
- Em discussões teológicas com líderes religiosos, eu frequentemente pergunto qual seria a resposta deles se um princípio central da sua fé fosse provado como falso pela ciência. Quando eu apresentei essa questão ao atual, décimo quarto, Dalai Lama, ele respondeu sem hesitar de uma maneira que nenhum líder religioso conservador ou fundamentalista faria: “Nesse caso”, ele disse, “o Budismo Tibetano teria que mudar”.
“Mesmo se”, eu perguntei, “for um princípio realmente central, como (eu procurei por um exemplo) reencarnação”?
“Mesmo assim”, ele respondeu.
“Entretanto” — ele adicionou com uma piscadela de olho — “vai ser difícil provar que a reencarnação é falsa”.
Claramente, o Dalai Lama está certo. Doutrinas religiosas que estão isoladas de contradição tem poucos motivos para se preocupar com o avanço da ciência. A idéia maior, comum a muitas crenças, de um Criador do Universo é uma dessas doutrinas — simultaneamente difícil de demonstrar e contradizer.
Tudo o que os fanáticos religiosos conseguem através desse ataque sistemático à ciência e ao pensamento científico (do qual a discussão sobre Evolução é só a ponta do iceberg) é erodir os pilares que suportam a nossa civilização e o nosso progresso, além de assumirem uma posição hipócrita: eles usam e abusam diariamente dos benefícios que a ciência trouxe para eles até agora, não? Mas não se preocupam sobre o que vai acontecer se eles conseguirem o que querem e a ciência seja substituída por crenças. Alguém aí já ouviu falar sobre um período na Europa chamado “Idade Média”? Pois é, aparentemente não aprendemos mesmo com os nossos erros.
Bônus extra: o Carlos Orsi, amigo meu que escreve para o Estadão, escreveu este artigo legal sobre algo mais que podemos aprender de útil na Bíblia (obrigado pelo toque, Rods).
Coincidência? Ou desígnio divino?
Depois de tudo o que andou sendo discutido aqui nos últimos dias, adivinhem o que a dupla Penn & Teller escolheu para detonar no “Bullshit!“, o programa de televisão deles, na quinta-feira que vem?
A Bíblia.
O episódio vai ao ar no canal Showtime, na quinta-feira, dia 7 de abril maio, às 22:00 EST.
Mal posso esperar… 😉
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